27 agosto 2006

15 dias...


15 dias será tempo de espera para tratamento de droga
by Rute Araújo DN

"Os consumidores de droga que queiram entrar em tratamento não vão esperar mais de 15 dias para serem admitidos nos Centros de Atendimento a Toxicodependentes (CAT). Este é o tempo clinicamente aceitável defendido por João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Hoje, a espera chega a durar meses nos locais onde a procura é maior e as estruturas públicas não conseguem dar resposta.A criação de um tempo clinicamente aceitável para a entrada em tratamento - nomeadamente nos de substituição, como a metadona - é uma das metas do Plano de Acção contra as Drogas - Horizonte 2008, aprovado na quinta-feira em Conselho de Ministros. João Goulão admite que existem consumidores em lista de espera, apesar de não precisar quantos. "Em locais como Sintra ou Almada, a espera chega a ultrapassar os dois meses", sublinha.O organismo vai agora definir duas semanas como o tempo máximo, "um período consensual junto dos técnicos". Mas que exigirá um esforço das equipas, "muitas delas desfalcadas". "Queremos flexibilizar a admissão de técnicos, porque os quadros estão fechados desde a fusão", em 2002, dos dois organismos que deram origem ao actual IDT - o Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (SPTT) e do Instituto Português da Droga e da Toxicodependência. A estratégia passa também por recorrer à tecnologia. Os CAT com maior movimento deverão ser dotados de pipetas automáticas, que permitem estabelecer as doses de metadona para cada pessoa, libertando os técnicos. Goulão admite, no entanto que os 15 dias serão "uma meta indicativa". Isto porque, mesmo que os serviços públicos não consigam dar resposta, os consumidores não podem ser enviados para as comunidades terapêuticas privadas, já que "não há oferta de ambulatório no privado".Quatro prisões com máquinasO plano de acção aprovado contempla ainda o alargamento do programa de troca de seringas ao meio prisional. A troca de seringas nas prisões - uma medida integrada nas políticas de redução de danos e minimização de riscos - é, desde 1991, defendida por vários membros do actual Executivo. Incluindo o primeiro-ministro, José Sócrates, que assumiu a pasta da droga nos governos de António Guterres. Contudo, nunca foi levada a cabo.Antes de anunciar uma decisão, o actual Executivo nomeou, em Janeiro, um grupo de peritos para estudar formas de controlar a transmissão de doenças infecto-contagiosas dentro das prisões. O relatório, entregue a 21 de Julho aos ministros da Saúde, Justiça e Assuntos Parlamentares, aconselhava, entre outra medidas, precisamente a introdução de programas de troca de seringas em todos os estabelecimentos do País e, ao mesmo tempo, experiências-piloto de máquinas de troca automática em quatro penitenciárias. Mas, mesmo depois de ter aprovado o plano de acção contra a droga, o Governo continua a adiar uma tomada de posição sobre a matéria.Questionado pelo DN, o Ministério da Justiça diz que este "não é o timing certo" para falar sobre o assunto. E remete qualquer decisão para o próximo dia 30, altura em que os três ministros se vão reunir com os membros da comissão técnica para discutir o conteúdo do relatório. Ou seja, a decisão de avançar com a troca de seringas nas prisões, precisamente a mesma medida que foi aprovada na quinta-feira em conselho de ministros, fica suspensa, pelo menos, até ao final do mês.Tal como no plano de acção, o relatório defende ainda a introdução nas prisões de modalidades de tratamento como a substituição opiácea, para o tratamento da dependência de heroína."in http://dn.sapo.pt/2006/08/26/sociedade/15_dias_sera_tempo_espera_para_trata.html
Duas semanas...?
Boas colagens