Substâncias em www
"Droga: Aumento de vendas na Internet preocupa OICE
A venda de estupefacientes na Internet, através de «farmácias online» tem vindo a aumentar na última década, uma questão que preocupa o Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICE), que admite desconhecer a extensão do problema.
A questão está expressa no relatório de 2005 sobre o problema da droga no mundo, hoje divulgado pelo OICE, um organismo que funciona junto das Nações Unidas e que vigia a aplicação dos tratados internacionais sobre o controlo de drogas.
No relatório, o OICE faz um balanço da criação de medidas alternativas ao cultivo de plantas como a papoila (ópio) e a cannabis (haxixe) e analisa a problemática da droga em termos mundiais.
A venda de substâncias ilícitas através da Internet merece destaque no relatório, com a OICE a frisar que através de cyberfarmácias é fácil adquirir produtos como a metadona ou codeína, muito consumidas por toxicodependentes.
A venda de estimulantes, analgésicos e outros produtos também procurados por toxicodependentes é usual nas farmácias da Internet, que podem ser instaladas em qualquer país, diz o relatório.
Os Estados Unidos é o país com mais cyberfarmácias, abastecidas por estupefacientes de países das Caraíbas e México. Na Ásia os países mais citados são a China, a Índia, o Paquistão e a Tailândia, e na Europa é a Holanda o país a partir do qual operam as cyberfarmácias ilícitas, diz o documento.
«Tendo em conta o carácter muito volátil e maleável do mercado das cyberfarmácias, é difícil avaliar de forma rigorosa a extensão do problema», reconhece o OICE, adiantando mesmo assim que uma farmácia ilegal na Internet rivaliza em vendas com uma farmácia tradicional, realizando por dia, em média, 400 operações de venda de produtos ilícitos.
Dizendo que as substâncias nas farmácias online são vendidas a um preço muito mais elevado, o relatório deixa ainda um alerta: «Alguns destes medicamentos de prescrição contêm estupefacientes e substâncias psicotrópicas com propriedades toxicómanas como as da heroína e cocaína».
O organismo internacional afirma-se também preocupado com a «discrição» das cyberfarmácias, que permitem que todos os consumidores permaneçam anónimos, pelo que crianças e jovens não têm qualquer protecção.
Em termos gerais, os clientes das farmácias online também são mais vulneráveis à fraude. Nos Estados Unidos estima-se que só metade dos compradores em cyberfarmácias receba em casa o produto original.
Até agora, diz o OICE, «apenas um pequeno número de países adoptou medidas jurídicas destinadas a impedir esta utilização da Internet para fins criminosos».
A par de vendas ilícitas online, o OICE manifesta-se também preocupado com o aumento, à escala global, do contrabando de drogas por via postal, reconhecendo que é impossível controlar em permanência todo o correio que circula.
Mais optimista é o balanço sobre as culturas alternativas, levadas à prática em países da América Latina e Ásia, tendentes a substituir a cultura de drogas por outros produtos.
O OICE lembra que na Tailândia a superfície consagrada à cultura da papoila do ópio passou de 17.900 hectares em 1965-66 para 330 hectares em 2000 (redução de 98%). No Laos baixou 75% entre 1998 e 2004.
Do outro lado do mundo, na América do Sul, diz o OICE que na Colômbia a cultura ilícita da coca baixou para metade entre 2000 e 2004 (163 mil hectares para 80 mil) e que no Peru passou de 115 mil hectares em 1995 para 44.200 em 2003.
O OICE recomenda aos países e organismos regionais que analisem a dinâmica da economia ilícita da droga e percebam o seu impacto nas economias locais, adoptando estratégias que assegurem meios de subsistência alternativos às regiões em causa.
O desenvolvimento alternativo, diz a mesma entidade, deve ser uma preocupação de governos e organizações internacionais, como a ONU, o Bando Mundial ou o Fundo Monetário Internacional.
Além disso, os governos devem apoiar e proteger as famílias de agricultores que optem por culturas lícitas, bem como fornecer serviços públicos adequados nesses locais, nomeadamente nas áreas do ensino e da saúde.
Na análise que faz, o OICE afirma que em África é a cannabis (haxixe) a principal droga de abuso, atingindo 34 milhões de pessoas, com Marrocos como o principal país de exportação para todo o mundo.
A América Central e Caraíbas são caracterizadas como um importante ponto de passagem de droga, principalmente cocaína, para a Europa e Estados Unidos, país a braços com o abuso, tráfico e produção ilícita de drogas.
Na América do Sul a cultura de cocaína aumentou em 2004 três por cento relativamente a 2003, ainda assim muito abaixo do referenciado em 2000.
Quanto à Ásia, o OICE salienta a diminuição das culturas de ópio no Laos e diz que apesar dos progressos ainda há muito que fazer no Afeganistão, maior produtor mundial de ópio.
Na Europa, onde o haxixe continua a ser a principal droga de abuso, as quantidades de cocaína apreendidas levam a crer que há um aumento do consumo desta droga, diz também o relatório.
A França, a Irlanda, a Republica Checa, o Reino Unido e a Suiça são referenciados como países onde se consome muito haxixe, dizendo o relatório que nos 25 países da União Europeia cerca de 15% dos jovens de 15 anos e que frequentam a escola consomem haxixe mais de 40 vezes por ano. "
in Diário Digital / Lusa
Boas colagens!!!!