28 julho 2006

Miragem ou realidade?

" O plano foi discutido em reunião de secretários de Estado, na última terça-feira, e vai ser hoje aprovado em Conselho de Ministros, segundo apurou o CM.Na sequência da anterior estratégia nacional de luta contra a droga, aprovada em 1999, já existia cobertura legal para os chamados ‘programas de consumo vigiado’ ou salas de injecção assistida. O novo plano, que hoje será aprovado, estabelece como “prioritária a regulamentação” dos programas previstos. A par das ‘salas de chuto’, o Governo pretedente investir em programas de substituição da heroína por metadona e troca de seringas, incluindo nas prisões – como o CM terça-feira avançou.Com o objectivo de minimizar os danos para os consumidores e para a saúde pública, no que respeita às doenças infecto-contagiosas, como a sida, hepatites e tuberculose, as salas de injecção assistida visam também evitar a marginalização dos consumidores e, a médio prazo, a sua motivação para um programa de tratamento.Estes espaços devem ser iniciativa das autarquias ou de entidades particulares. Segundo disse ao CM o responsável pelo plano e presidente do Instituto da Droga e Toxicodependências (IDT), João Goulão, este ponto da lei “não será mudado, pelo menos no curto prazo”.De acordo com o exemplo de outros países, estes espaços deverão ser criados em zonas de “consumo a céu aberto”, como é o caso do Largo do Intendente, em Lisboa, ou o Bairro de São João de Deus, no Porto. Às ‘salas de chuto’ só podem aceder toxicodependentes maiores de idade, sendo o acto de consumo da sua inteira responsabilidade.Já aprovado, no dia 4 de Maio, pelo Conselho Interministerial do sector (um Conselho de Ministros reduzido, sem os responsáveis da Agricultura, Economia e Obras Públicas e com a presença do coordenador nacional para a Droga e Toxicodependência, João Goulão), o novo plano nacional prevê ainda a elaboração, pelo IDT, de um caderno de “boas práticas” que pretende adoptadas por todas as entidades ou autarquias com as quais estabelece protocolos ou acordos de parceria.No domínio da prevenção, o documento prevê, por exemplo, campanhas de sensibilização vocacionadas para o álcool e para as novas drogas, como o ecstasy, em espaços de diversão nocturna.Para o tratamento, a aposta reside em estruturas próximas dos locais do consumo, procurando ir “ao encontro dos consumidores que não procuram ajuda”, em especial nas áreas da Grande Lisboa e Porto.

EXEMPLOS EUROPEUS
O princípio da redução de riscos, subjacente às Salas de Injecção Assistida, já adoptadas noutros países europeus, “reconhece a abstinência como resultado ideal, mas aceita alternativas que reduzam os danos, uma vez que a obrigação da abstinência é uma exigência que muitas vezes se torna um obstáculo para os que procuram ajuda”, segundo a terminologia técnica.Nesse sentido, perante o espectáculo degradante, e face aos riscos de saúde pública e para os consumidores, países como Alemanha, Espanha, Holanda e Suíça, na Europa, optaram por criar espaços onde os consumidores de drogas, por via intravenosa, pudessem injectar-se em condições de higiene, ao mesmo tempo que reconquistavam áreas públicas para o resto da população. Foi o que sucedeu, por exemplo, na estação central de Frankfurt (Alemanha) e num parque de Zurique (Suíça). Fora da Europa, Austrália (Sydney) tem também uma sala de chuto, tendo neste caso a opção sido a de conter a propagação da sida. "QUEM NÃO CONCORDAR DEVE ASSUMIR DECISÃO POLÍTICA"Luís Patrício, director do Centro de Toxicodependentes das Taipas.Correio da Manhã
– Concorda com as salas de chuto?
Luís Patrício Prefiro chamar-lhes Salas de Consumo Asséptico e Recatado. Tenho defendido que, em certos locais, quem consome por via endovenosa, o possa fazer de forma a diminuir os riscos para a sua saúde e a propagação de doenças infecto-contagiosas.
– Prefere uma escolha definitiva ou a prazo?
– Depende das condições. Em certas alturas pode justificar-se, mas se fizer mais mal do que bem deve fechar-se.
– Quais são as vantagens?
– Não acaba com os problemas. Mas, reduz mortes por ‘overdose’ e infecto-contagiosas e diminui a marginalização do conumidor, que poderá ser cativado para tratamento e despiste da tuberculose.– Não deveria ser o Estado a assumir a responsabilidade?
– Uma Sala de Injecção Assistida é uma questão de política local. Já defendi a sua criação no Intendente, em Lisboa, e no Bairro João de Deus, no Porto. Mas, é preciso responsabilizar os utentes. Não é para curtir!– Assim depende da vontade política da autarquia...– Quem não concordar deve assumir a decisão política e a responsabilidade de contrariar as evidências técnicas. É preciso ser humilde. Temos o dever de aprender com quem já sabe.
NÚMEROS CONSUMIDORES
Em 2005, em Portugal, estiveram em tratamento 31 822 consumidores de drogas, dos quais 4844 contactaram os serviços pela primeira vez (5023 em 2004). Os técnicos estimam o total de consumidores em cerca do triplo.
HEROÍNA
A heroína é a droga que leva mais consumidores, em Portugal, a procurar tratamento (62%), por si só ou associada à cocaína (15%). Segue-se o haxixe (11%) e a cocaína (8%). Ecstasy e outras droga representam quatro por cento.
MORTES
No ano passado morreram, em Portugal, 219 toxicodependentes por consumo excessivo (‘overdose’), um aumento, face 2004, de 154 mortes. Em 1999, as autoridades portuguesas registaram 399 mortes por excesso de droga." in http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=208819&idCanal=10

Boas colagens!

Pó branco em saldos!


"A quantidade de cocaína apreendida em Portugal no primeiro semestre deste ano quadruplicou em relação a igual período do ano passado, enquanto a de heroína e de haxixe diminuiu, revelam dados hoje divulgados pela Polícia Judiciária.
Um relatório semestral da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ, dirigida por José Braz, indica que, durante o primeiro semestre de 2006 foram apreendidas 30 toneladas de cocaína, 64 quilos de heroína e 2,8 toneladas de haxixe.Foram ainda apreendidos 111 quilos de cannabis (liamba), 36 quilos de pólen de cannabis, 106 quilos de folhas de cannabis, 91.604 comprimidos de ecstasy e 46 comprimidos de metadona, entre outros estupefacientes.As autoridades policiais apreenderam mais 324 por cento de cocaína, menos 48 por cento de heroína, menos 78 por cento de haxixe e menos 12 por cento de comprimidos de ecstasy.Em relação ao mesmo período de 2005 "verificou-se um decréscimo 6,52 por cento no número de apreensões de heroína, de 6,06 por cento nas apreensões de cocaína, de 15,61 por cento nas apreensões de haxixe, e de 31,73 por cento no número de apreensões de ecstasy".O relatório da PJ regista ainda uma redução do número de detidos (menos 8,71 por cento) por posse ou tráfico de droga.Nos primeiros seis meses do ano foram detidas 2087 pessoas por posse ou tráfico de droga.Em termos percentuais e em relação a cada tipo de droga, constata-se que 42,83 por cento dos intervenientes estão associados ao tráfico de haxixe, 27,1 1 por cento ao de cocaína, 26,99 ao tráfico de heroína e 3,07 por cento ao tráfico de ecstasy.Entre as apreensões mais significativas, o destaque vai para a realizada em Fevereiro em Silves, onde foram apreendidas oito toneladas de cocaína, e a que decorreu em Abril em Esposende, onde a Judiciária apreendeu seis toneladas da mesma droga.Quanto à proveniência dos estupefacientes, as maiores apreensões de cocaína provêem da Venezuela, Colômbia, Brasil e Uruguai. As quantidades mais elevadas de heroína vêm da Holanda, Espanha e Turquia e as de haxixe provêem de Marrocos e de Espanha.A Holanda mantém-se como país exclusivo de proveniência de ecstasy.O relatório demonstra ainda que quase metade (46,5 por cento) das rotas internacionais tinha Portugal como destino final."Em matéria de tráfico internacional, o território nacional é maioritariamente utilizado como ponto de trânsito para outros destinos finais: Espanha (7 ), Holanda (3), Reino Unido (2), Itália (2), Suíça (2), Dinamarca (2), França (1 ), Bélgica (1), Irlanda (1), Cabo Verde (1) e Moçambique (1)".Quanto ao valor total global apreendido nas diversas operações (dinheiro, imóveis, meios de transporte, e outros objectos) este ascende a de 9,6 milhões de euros, valor superior ao registado em igual período do ano transacto (2,4 milhões de euros).A quantidade de droga apreendida e número de apreensões reportam-se à actividade desenvolvida conjuntamente pela PJ, GNR, PSP, Direcção-Geral das Alfândegas, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Polícia Marítima e Direcção-Geral dos Serviços Prisionais." in http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1265460&idCanal=62
Continuação de boas colagens!

12 julho 2006

Vai um joguinho?

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"Videojogos criam dependência como álcool ou 'cannabis'
Os videojogos criam dependência e actuam sobre o cérebro da mesma maneira que o álcool ou a cannabis, segundo um estudo de cientistas alemães ontem apresentado em Viena. "As reacções cerebrais das pessoas que usam em excesso os videojogos são semelhantes às dos alcoólicos ou dos viciados na cannabis", afirmou Ralf Thalemann, do Instituto de Medicina Psicológica da Universidade Charité de Berlim. O estudo foi apresentado no V Fórum Europeu de Investigadores de Neurociência, que está reunido até hoje na capital austríaca. Se os utilizadores de videojogos submetem o cérebro continuamente a certos estímulos de recompensa que causam a libertação de quantidades crescentes de dopamina, cria-se uma "memória de habituação" que tem efeitos na actividade cerebral. Em testes realizados em mais de 7000 pessoas, os investigadores descobriram que mais de 10 por cento tinha essa "memória de habituação" gravada no cérebro. A equipa de investigadores, chefiada por Thalemann, quis investigar o resultado cerebral dessa "habituação", comparando as reacções cerebrais a imagens de um videojogo em 15 jogadores "normais" e outros 15 que passavam muito tempo em frente ao ecrã. E comprovaram que os jogadores que dedicavam mais tempo aos jogos tinham uma reacção cerebral muito mais elevada que os outros a esse estímulo, e que as imagens dos videojogos tinham uma associação positiva para eles. "Podemos afirmar que o electroencefalograma e o modelo de electromiograma dos que usam em excesso os videojogos são comparáveis aos dos viciados no álcool e na cannabis", sustentam. " in http://dn.sapo.pt/2006/07/12/sociedade/videojogos_criam_dependencia_como_al.html

Boas colagens!

*foto em http://www.dreamstime.com/twoapplesfallingintowater-image484493