08 setembro 2006

Moderninha...não é o máximo???


Droga: PSD e CDS criticam política "mediática" e "moderninha" do Governo 07.09.2006 - 21h15 Lusa

"PSD e CDS-PP acusaram hoje o Governo de descurar a prevenção da toxicodependência e optar por uma política "mediática" e "moderninha", com medidas como as salas de injecção assistida e a troca de seringas nas prisões.
Correia de Campos rejeitou as críticas na reunião da Comissão Permanente do Parlamento e considerou "ridículo" que as atenções se centrem "em dois objectivos entre os 87" previstos no Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências (PNDT) aprovado em 24 de Agosto.O ministro referia-se "à avaliação de experiências com máquinas de troca de seringas e salas para consumo vigiado na comunidade" e à colocação de "máquinas de dispensa de preservativos e troca de material com consumo asséptico" nas prisões, medidas que defendeu."Qualquer destes objectivos tem sido amplamente discutido no passado, está previsto na lei, ou foi altamente recomendado pelo Provedor de Justiça e tem a seu favor variada experiência estrangeira", afirmou, acrescentando que o Plano "prevê métodos progressivos, seguros e cuidadosamente medidos".Na sua intervenção inicial, no senado da Assembleia da República, o ministro da Saúde salientou aos deputados que o Governo quer impedir "que a doença infecciosa pulule nas prisões através de material grosseiramente improvisado, fonte de contágio incontrolável".O PSD, através do deputado Emídio Guerreiro, não aceitou esses argumentos e acusou o Governo de uma "criticável vertigem pelas experiências mediáticas", de optar por uma "política de redução de danos" em vez da prevenção da toxicodependência, e assinalou o "atraso de um ano" na aprovação do PNDT.Também o deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares acusou o Ministério da Saúde de conduzir à diminuição da reinserção social e do número de toxicodependentes em tratamento e considerou medidas como a troca de seringas nas prisões "uma solução simples, rápida, mas profundamente errada"."Falemos muito mais daquilo que nos une do que do que nos divide. É naquilo que nos une que encontraremos soluções", apelou, depois, em nome do PS, a deputada e ex-ministra da Saúde Maria de Belém, que preside à Comissão de Saúde e anunciou que esta se reunirá brevemente para ouvir Correia de Campos sobre o PNDT.João Semedo, pelo Bloco de Esquerda (BE), lamentou o "moralismo" do PSD e CDS-PP e defendeu que o Governo recolocou "no ponto certo" a política para o combate à toxicodependência e o deputado comunista António Filipe disse que "falta a acção" e que espera que se venha a fazer "um balanço positivo" do PNDT.O deputado do Partido Ecologista "Os Verdes" Francisco Madeira Lopes pediu um reforço de verbas e meios para o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).No final da sessão, o ministro da Saúde aproveitou para divulgar alguns números sobre o tratamento de toxicodependentes em 2004 e 2005.De acordo com Correia de Campos, de um ano para o outro os utentes em tratamento ambulatório aumentaram de 30 mil para 32 mil e as consultas passaram de 374 mil para 406 mil, mas as primeiras consultas baixaram, dado que o ministro frisou e apontou como prova de uma "mudança no padrão de consumo"."in http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1269533&idCanal=12


Boas Colagens!

06 setembro 2006

Água mole em pedra dura...


Governo avança com experiência de troca automática de seringas em quatro prisões 06.09.2006 - 18h29 Lusa

"O Governo vai avançar com uma experiência piloto de troca de seringas em quatro prisões e prepara a integração dos serviços de saúde prisionais no Serviço Nacional de Saúde, anunciou hoje o ministro da Justiça.
O anúncio foi hoje feito durante a apresentação do Plano Nacional de Combate à Propagação de Doenças Infecto-Contagiosas nas Prisões, já aprovado na generalidade pelos ministros da Justiça, Saúde e Assuntos Parlamentares, e que deverá começar a ser aplicado dentro de mês e meio.O documento hoje divulgado propõe que seja instalado nos estabelecimentos prisionais de Lisboa, Paços de Ferreira, Faro e Montijo um sistema de troca automática de seringas, que deverá ser avaliado ao fim de um ano. Desta avaliação vai depender a decisão de alargar ou modificar esta experiência.Durante a apresentação do Plano Nacional, que decorreu no Hospital Prisional de Caxias, tanto o ministro da Justiça, Alberto Costa, como o ministro da Saúde, António Correia de Campos, ressalvaram que os moldes em que esta experiência vai decorrer serão determinados por um novo relatório, já encomendado, e que deverá ficar concluído dentro de cerca de um mês e meio.Na sua intervenção, o ministro da Justiça explicitou que "a comissão [que elaborou o plano] recomendou uma experiência piloto na área da troca de seringas" e que "é sobre essa que pedimos sugestões operacionais para poder passar a uma experiência piloto nos termos em que foram recomendados".Também dependente do novo relatório está a concretização de outras medidas propostas pelo plano, como uma maior acessibilidade a preservativos e lubrificantes aquosos, lixívia, equipamento e consumíveis para tatuagens e piercings.Igualmente proposto é o acesso ao tratamento que visa prevenir a infecção pelo VIH e que tem de ser administrado imediatamente após a suspeita de ter sido infectado (também designado por profilaxia pós-ocupacional ou não ocupacional).António Correia de Campos e Alberto Costa anunciaram ainda a assinatura de um despacho, esta manhã, que nomeia um grupo de trabalho encarregado de " preparar a integração dos serviços [de saúde] prisionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS)".O ministro da Saúde adiantou que a redistribuição das competências entre a Saúde e a Justiça em matérias de cuidados de saúde deverá estar em execução dentro de seis meses e vai envolver a áreas como o medicamento, mobilidade de profissionais e cuidados hospitalares, podendo, em relação a este último aspecto, passar pelo "internamento transitório" de reclusos nos hospitais públicos."O SNS não pode ficar à porta da prisão e é o que tem acontecido", criticou Correia de Campos, notando que a atribuição da responsabilidade pelos serviços de saúde prisionais ao Ministério da Justiça tem tido como consequência que o "direito à saúde cesse quando se passa a porta da prisão"." in http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1269416&idCanal=90
Boas colagens!

A aldeia gaulesa e a poção mágica no século XXI

Já vem tarde, o Boom já lá vai, no entanto aqui fica uma imagem que vale por mil palavras, mas como nunca é demais as palavras também aqui estão! Enquanto os técnicos andam distraídos com a heroína...

"O AVISO foi escrito à pressa num papel sujo e amachucado, mas chama tanto a atenção como se Mariana o tivesse imprimido a «laser»: «Promoção. LSD: 25 gramas, 200 euros». Sempre que mais um carro faz a curva apertada, a bela «hippie» de vestido excêntrico salta da caravana até ao asfalto com o cartaz mal-amanhado em punho. Os condutores põem o pé no travão, um sorriso de surpresa e ficam na conversa, a regatear. «É um bom preço. Lá dentro é quase o dobro. Até podem fazer negócio mais à noite», afiança a portuguesa de trinta anos, há uns meses a viajar pela Europa com a sua amiga francesa, que acaba de enrolar um charro à porta da caravana.
Elas não estão com pressa, nem preocupadas por ter um jipe da GNR a menos de cem metros, porque estão quase a conseguir juntar os 220 euros necessários para comprar dois bilhetes no Boom Festival, a três curvas de distância. «O nosso produto é do bom», vangloria-se Mariana, tirando do bolso, como por artes mágicas, um frasco de «ecstasy» líquido, droga indicada para aguentar as batidas violentas durante toda a noite. A receita é simples: «É só misturar uma gota de ‘ecstasy’ num copo de água e depois é curtir».
Mariana e a amiga não são as únicas a anunciar o seu produto como se estivessem numa feira. Mais à frente, Marco, um «rasta» transmontano, de mochila às costas, segura um cartão que diz: «Tenho MDMA» («ecstasy»), mas não parece ter tanta sorte como elas. Ali só param «festivaleiros» à procura de cerveja barata, vendida numa barraquinha improvisada ao seu lado. «Vou bazar daqui, que isto não está com nada».
Maldita cocaína. À entrada do festival, na herdade do Torrão, perto de Idanha-a-Nova, os porta-bagagens são revistados em tempo recorde. Os corpulentos seguranças procuram «penetras» que tentam entrar sem pagar o bilhete. É sábado, terceiro dia do Festival, e um dos mais quentes do ano. Joana, uma jovem loira de Sintra que carrega uma pesada mala de viagem e várias manchas de suor na camisola, pede-nos boleia. Até ao parque de campismo ainda teria de andar mais de meia hora à torreira do sol. «O meu namorado e um amigo dele foram expulsos, há uma hora, depois de andarem à porrada», desabafa mal se senta no carro. «Passaram-se». Joana ficou sozinha e sem os oito gramas de cocaína que tinham comprado a meias para os seis dias de festa. «Foi uma estupidez. Se eles não tivessem desatinado ninguém nos catava a cena», conta. «Podíamos ter sido presos se os seguranças não nos tivessem sugerido dividir o pó branco pelos três. Mais de cinco gramas dá direito a cana», lembra a rapariga.
Depois do susto valente, limita-se a encolher os ombros. «O namoro estava nas últimas. Este é um bom pretexto para acabar tudo». Joana tem mais amigos e outras drogas à sua espera. É o segundo ano que vem ao «Boom-Fest» e já conhece bem os cantos à casa. «Encontramo-nos logo, junto à tenda do trance. Vou tentar arranjar umas pastilhas por aí».
O Boom parece a terra de Alice, a do País das Maravilhas: tendas coloridas feitas em bambu, pontes lacustres, barraquinhas de massagens, incenso e balões no ar, engolidores de fogo em terra e maus nadadores na água. Ainda nem tínhamos descarregado a mochila quando fomos abordados por uma jovem belga, de xaile e leque para afugentar o calor, que nos pergunta, em inglês macarrónico: «Querem cristal?». A anfetamina, seis vezes mais barata que a cocaína mas com efeitos dez vezes mais potentes, custa seis euros o grama. Mal nos vira costas, dois «freaks» de sandálias e «t-shirts» cobertas de pó pedem-lhe cinco minutos de atenção. Notas para um lado, sacos para o outro e cada um vai à sua vida.
A luz verde do céu. À noite, todos os caminhos vão dar ao «Chill-Out», zona de descanso onde dezenas de casais e grupos de amigos enrolam charros, num espírito «peace and love». Mas é na tenda «Dance Floor» que a maioria dos vinte mil «boomers» de 60 países exulta com as batidas frenéticas emanadas pelos «dj» de serviço. Perto da pista de dança, um quarentão abana a cabeça enquanto despeja uma risca de coca em cima de um contentor do lixo. Agacha-se, snifa o pó branco, perante a indiferença dos «ravers» a dançar ao seu lado e volta a sacudir o corpo.
Entre os vários grupos sentados na relva, na penumbra, transacciona-se todo o tipo de produtos. Duas jovens madrilenas têm à sua frente uma fila de gente, que aguarda a sua vez para comprar algumas das suas especialidades: «Temos chocolate e ‘cogumelos’ mexicanos», explicam aos seus clientes, que se colocam de cócoras para tocar e cheirar nos exóticos produtos. Por dez euros o grama qualquer um pode trincar uma tablete parecida com as que se vendem nos supermercados. Os efeitos é que são um pouco diferentes. «É uma viagem inesquecível», prometem, em castelhano.
Joana, a nossa amiga da boleia, anda à caça da sua pastilha. Ao pé do bar encontra dois trintões de Sesimbra que vendem de tudo. Umas frases de circunstância bastam para eles mostrarem um saco com MDMA em pó, uma barra de haxixe marroquino e, «voilà», as ditas pastilhas, que mais parecem aspirinas em miniatura. Os «dealers» apelidam-nas de Versace, talvez por serem cor-de-rosa. Custam dez euros a unidade. «Os meus amigos arranjam-na a seis», argumenta. «É pegar ou largar», rebatem eles. Ela não discute mais. Abre o porta-moedas e dá-lhes uma nota de dez para a mão. Num abrir e fechar de olhos, Joana mete metade do comprimido na língua e vai para a pista de dança, contente da vida.
Eles continuam a deambular por ali, de ar alucinado, à espera de mais clientes: «Estou-me a passar com aquela luz verde brilhante no céu. Vou ficar aqui a noite toda a olhar para ela». É apenas um ponto luminoso da tenda de exposições de arte." in http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=367535
Boas colagens!