26 junho 2006

Será que chega admitir o falhanço...?

"Balanço de 16 anos de política de combateCâmara de Lisboa admite falhanço na redução do consumo de droga 26.06.2006 - 16h16 Lusa

O vereador da Acção Social da Câmara de Lisboa admitiu hoje que o plano municipal de combate à toxicodependência falhou o objectivo de reduzir o consumo de estupefacientes na cidade.
A autarquia deu início ao Plano Municipal de Prevenção da Toxicodependência em 1990, altura em que existiam no distrito de Lisboa cerca de 50 mil consumidores de substâncias ilícitas e quando o bairro do Casal Ventoso era um enorme mercado de droga ao ar livre.Dezasseis anos depois, o vereador Sérgio Lipari Pinto considerou, citando técnicos da autarquia que estão no terreno, que "a situação está estagnada e não tem havido melhorias significativas na cidade". "Não tem havido uma evolução positiva no sentido de que estamos a reduzir o consumo, de que está a haver uma defesa maior a nível de saúde pública", afirmou o vereador aos jornalistas, à margem de um congresso promovido pela autarquia para assinalar o Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Drogas.Sérgio Lipari Pinto adiantou que o congresso tem como objectivo "tentar saber se o caminho e o diagnóstico que tem sido traçado nos últimos anos para Lisboa tem sido o melhor" e admitiu redefinir a estratégia para melhor combater a toxicodependência. Tem sido "uma política cinzenta e é isso que queremos ver e repensar", afirmou o autarca.Poucas certezas sobre toxicodependentesApesar de não haver números concretos sobre a toxicodependência na região, o autarca disse que "não houve aumentos", mas admitiu que existem novos comportamentos e zonas de consumo, como o Intendente, o Socorro e zonas limítrofes ao concelho."Ninguém é capaz de nos garantir hoje com precisão o número de toxicodependentes que a cidade tem. Existem é tendências de comportamentos", explicou.Segundo dados de quem trabalha no terreno, 80 por cento dos consumidores são do sexo masculino, 40 por cento residem nos locais de consumo e 20 por cento são imigrantes. Ainda segundo o autarca, 30 por cento dos toxicodependentes não residem em Lisboa, 40 por cento já passaram por comunidades terapêuticas e 30 por centro frequentam os centros de apoio a toxicodependentes (CAT).Em declarações aos jornalistas, a coordenadora do Núcleo de Intervenção em Dependência (NID) da Câmara de Lisboa, Filomena Marques, explicou que a dificuldades de saber o número de toxicodependentes se deve à quantidade de consumidores oriundos de outras partes do país."É um número que está sempre em mudança. Na década de 90, falava-se em 50 mil consumidores no distrito de Lisboa. Mas, ao fim de 16 anos nesta área, mal de nós se ainda existisse esse mesmo número", salientou a responsável.Para a coordenadora do NID, assiste-se a uma redução dos consumos intravenosos de heroína e cocaína, havendo poucos casos novos, porque este tipo de drogas está a ser utilizado de outras formas, como fumadas ou inaladas.Questionada sobre o número de pessoas que recorrem às unidades móveis de distribuição de substituição opiácea, a responsável adiantou que são em média 2400 toxicodependentes por dia.A responsável acrescentou que tem havido um esforço financeiro muito grande da autarquia para evitar que o problema se agrave, informando que a autarquia investiu 1,2 milhões de euros em 2002 e 1,04 milhões de euros em 2005.Sobre a possibilidade da criação de Salas de Injecção Assistida em Lisboa, Sérgio Lipari Pinto afirmou que se esse for o melhor caminho para a defesa da comunidade e dos toxicodependentes, não se oporá a isso."in http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1262167&idCanal=59
Boas colagens!

Experiências Intensas...

Dia Internacional Contra as DrogasJovens europeus usam cogumelos mágicos para obter "experiências intensas" 26.06.2006 - 08h44 Ana Cristina Pereira , (PÚBLICO)

Muitos jovens europeus já experimentam cogumelos alucinogénios, mas no espaço comunitário não há uma tendência para o consumo regular. O uso é motivado pelo desejo de ter "uma experiência intensa", atesta um estudo apresentado hoje - Dia Internacional Contra as Drogas - pelo Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT), em Lisboa.
É uma classe de droga muito específica. Caracteriza-se pela sua capacidade de produzir sensações distorcidas, de alterar o humor e o processo cognitivo de modo marcante. Até bem recentemente, o LSD era a substância dominante no plano das drogas alucinogénicas utilizadas pelos cidadãos europeus. O consumo de cogumelos mágicos foi impulsionado pela venda destes produtos, frescos ou secos, nas smartshops (lojas de plantas medicinais) holandesas, mas também nos mercados do Reino Unido e da Irlanda no final da década de 90. Contribuiu para o crescimento a disponibilização desta substância através da Internet. Este é o primeiro de um conjunto de estudos a publicar pelo OEDT, no âmbito de um projecto-piloto destinado a detectar novas tendências de consumo de drogas no espaço comunitário (E-POD). Os especialistas analisaram a situação entre Julho e Outubro de 2005, recorrendo a uma multiplicidade de fontes (rede Reitox, literatura científica, revistas juvenis, sites, artigos publicados nos meios de comunicação social...).De acordo com o OEDT, a prevalência de utilização de cogumelos mágicos na União Europeia é consideravelmente mais baixa do que a da cannabis, mas similar à registada para o ecstasy. Entre os estudantes europeus (15 a 16 anos), a taxa de prevalência ao longo da vida varia entre os zero e os oito por cento. O mais típico é entre um e três por cento.Os valores mais altos foram encontrados na República Checa, na Holanda, na França e na Bélgica (entre cinco e oito por cento), e os mais baixos no Chipre, na Finlândia e na Roménia (abaixo de 0,5 por cento). Estes valores são semelhantes aos registados em Portugal num dos últimos inquéritos realizados sobre esta matéria (2001). Difícil distinguir dos tóxicosO inquérito - aplicado a alunos do terceiro ciclo e do ensino secundário de todas as capitais de distrito e concelhos da Grande Lisboa e Grande Porto - colocava a média nacional nos quatro por cento. O estudo deverá ser actualizado já em Novembro deste ano. Na Bélgica, na Alemanha e na França, registam-se valores de utilização de cogumelos mágicos superiores aos do ecstasy. Na República Checa, na Dinamarca, na Itália e na Polónia os valores são idênticos. Estudos conduzidos em estabelecimentos de diversão nocturna revelam que a prevalência de consumo é maior entre os jovens que saem à noite. Uma amostra francesa cifrou em 55 a percentagem dos que já tinham experimentado cogumelos. O OEDT adianta que, desde 2001, seis países europeus - Dinamarca (2001), Holanda (2002), Alemanha, Estónia, Reino Unido (2005) e Irlanda (2006) - apertaram o controlo à comercialização desta substância. "Nalguns países, legislação restritiva está a prevenir a difusão desta ameaça." O maior problema resulta da dificuldade em distinguir os cogumelos alucinogénios dos que têm efeitos tóxicos. Os cogumelos alucinogénios crescem em estado selvagem em muitos países europeus. Mas os utilizados a título recreativo são maioritariamente cultivados, pormenoriza o OEDT. Para já, os valores apurados denotam que há um consumo "apenas por experimentação" - os jovens procuram uma "experiência intensa", um transe "natural"."As drogas podem rapidamente entrar ou sair de moda", comenta o director do OEDT, Wofgang Gotz. Cruzam as fronteiras, tal como a música. A agência europeia irá agir como "os olhos e os ouvidos da UE". Como se fosse "um radar", pronto a "ajudar os países a identificar e a responder rapidamente a novas ondas"." In http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1262095&idCanal=62
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